Há alguns anos houve aquele fenômeno dos rolezinhos nos shoppings e cheguei a abordar aqui a questão da propriedade privada. Embora uma parte majoritária daqueles grupos que entravam em alguns centros comerciais fossem de origem pobre e afro-descendentes, defendi que era uma opção da empresa permitir ou não a permanência da pessoa no local. Não por esta questão social ou racial, mas pela perturbação da ordem daquele local. Isso pode acontecer com grupos de jovens brancos também e seria até louvável se os seguranças tomassem a mesma atitude e combatessem a bagunça em nome do conforto de todos -- tudo, claro, com bom senso.
No caso da casa noturna, se a denúncia for confirmada (já que o que é afirmado é que isso seria uma acusação não provada ainda, pois o processo era trabalhista), é algo preocupante. Um advogado, em entrevista ao SBT neste domingo, afirmou que uma casa pode limitar a entrada por falta de dinheiro, mas não por questões como vestimenta ou cor de pele. Isso pode gerar discussões por parte de quem defende o total controle do proprietário sobre o espaço, mas pode ser entendida como uma das convenções feitas entre membros de uma sociedade onde todos abrem mão de um pouco de sua liberdade em nome do bem comum. Ou seja, o proprietário abre mão deste tipo de "liberdade" em nome da ordem e do respeito às diferenças, pois já sofremos com atitudes segreguistas no passado e sabemos as feridas que elas deixaram.
Há inúmeros depoimentos na internet contra as mais variadas casas notunas por barrar alguns consumidores. É interessante frisar que cada caso precisa ser avaliado. Às vezes uma pessoa pode não estar bem, por exemplo alterada, tentar entrar num recinto e ao ser barrada alegar que é uma questão racial, quando na verdade a questão é manter a ordem do local. Esse "alterada" não é tanto relativo a bebida, mas pode ser por estar violenta ou outra coisa, já que pessoa embreagada é o que não falta em casa noturna.
Sigo defendendo uma coisa: se você um dia for vítima de descriminação e entender que deve denunciar, faça-o. Entre na justiça, abra um processo e ajude a combater esse crime. Mas faça ainda melhor: não se obrigue a mudar por causa de locais como esses. Se for gordo, pense na sua saúde, emagreça por esse motivo e não por ser barrado. Se tiver cabelo afro, mantenha-o se quiser, não pelo o que os outros pensam. E no caso de uma balada, restaurante, enfim, um comércio: não gaste seu dinheiro em locais assim. Não alimente este tipo de empresário, seja firme, fale com seus amigos e procure outros locais para se divertir. O consumidor é maior que qualquer empresa.
Uma boa semana a todos!





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